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domingo, 9 de abril de 2023

Tutorial: como transferir um HDD do Virtual Box ou VMWare para uma VM no Proxmox

Pessoal,


Como comecei a contar nesse post aqui, resolvi instalar o MS-DOS e as versões antigas do Windows no Proxmox.

Como o Proxmox não aceita imagem de disquetes, não foi possível instalar diretamente o MS-DOS no Proxmox. Precisei usar o VirtualBox para criar a VM e, só então, mandar o HDD para o Proxmox.

Essa tarefa de converter o HDD do VirtualBox para o Proxmox é fácil mas não é trivial e tem algumas etapas mais complexas.

Criar uma VM no VirtualBox ou no VMWare é bem simples. Neste post aqui eu mostrei como criar uma VM do MS-DOS no VMWare. Para criar no VirtalBox é basicamente a mesma coisa.

Existem vários formatos para os HDD virtuais:
  • VDI - formato nativo do VirtualBox mas geralmente não aceito por outros softwares de virtualização;
  • VHD - formato do Microsoft Virtual PC, já em desuso pois foi substituído pelo VHDX;
  • VHDX - novo formato do MS Virtual PC, mas ainda com pouca compatibilidade no mercado;
  • HDD - formato do Parallels;
  • QCOW e QED - formatos antigos em desuso, substituidos pelo QCOW2;
  • VMDK - formato que era proprietário do VMWare mas atualmente é um formato aberto, aceito por quase todos os softwares de virtualização além de ser, provavelmente, mais rápido que VDI.

Geralmente o VirtualBox utiliza o formato .vdi (VirtualBox Disk Image) para criar o HDD virtual (mas é possível escolher outros formatos) e o VMWare utiliza o formato .vmdk.

Independente do formato escolhido, para enviar o arquivo de HDD para o Proxmox é necessário que o arquivo esteja em formato .raw. Para isso, vou explicar como converter os arquivos dos dois formatos mais comuns (.vdi e .vdmk)  para .raw.


.vdi para .raw

Acesse, no seu computador, a pasta das VMs. 


Veja que o arquivo .vdi tem pouco mais de 9MB. Pelo terminal do Mac (e acredito que no Windows e Linux funcione do mesmo modo), dê o seguinte comando:
# VBoxManage clonehd --format RAW "pasted\full\path\to.vdi" "pasted\full\path\to.raw"
Como estou dentro da pasta da VM no VirtualBox, pra mim foi isso aqui:


E apareceu um arquivo .raw com o tamanho total que eu havia reservado para o disco (500MB):


Pronto. Agora pode pular para a seção em que enviaremos este arquivo para o Proxmox.


.vdmk para .raw

Aqui primeiramente vamos mandar o arquivo para o uma pasta do Proxmox utilizando o Filezilla e entramos no Proxmox conectando pelo ssh. Uma vez lá dentro, navegue até a pasta para onde copiou o arquivo e dê o seguinte comando:
# qemu-img convert arquivo_origem.vmdk arquivo_destino.raw
OBS: é necessário fazer esse processo dentro do Proxmox pois o programa qemu-img está disponível apenas para o Linux.

Uma vez convertido o disco, vamos à criação da VM e importação do disco!


Criando uma VM no Proxmox

Esse passo não entrará em detalhes da criação de VM para Proxmox, apenas citarei os aspectos relacionados para este caso específico.

Bom, crie a sua VM normalmente com as características iguais à da VM que você criou no VirtualBox ou VMWare para gerar o HD virtual.

Em "SO" escolha "Não usar qualquer mídia" e escolha o sistema operacional como "Outro". Em Discos, escolha qualquer um e dê um tamanho pequeno, de poucos MB (afinal, não iremos adicionar nada nesse HD e ele será apagado e substituído pelo que criamos). Finalize a VM mas não execute ainda.

Na VM recém criada, vá em Hardware, selecione o Disco Rígido e aperte "Desanexar". Selecione agora o "Disco não usado" e exclua-o clicando em "Remover".

Se você utilizou o método do ".vdi para .raw", você precisa agora do Filezilla (ou equivalente) para copiar o HD em .raw para o Proxmox. Se você usou o método ".vmdk para .raw", você já fez o processo antes de converter o arquivo.

Uma vez copiado o arquivo .raw, precisamos importar o arquivo para o Proxmox utilizando o comando "qm importdisk". A sintaxe é assim:
# qm importdisk <VM ID> /root/<source disk file>.raw <destination storage pool name> --format qcow2
Claro que esse comando deve ser feito no Proxmox, via ssh!

Para facilitar o processo, mudei o nome do arquivo para MSDOS.raw (poderia ser MD-DOS_teste.raw; espaços em branco, em Linux, podem geral erros...). A minha VM tem número 106 e o HD do Proxmox onde eu coloco as VMs se chama "VM". Assim, o meu comando fica:
# qm importdisk 106 MSDOS.raw VM --format qcow2
Se o seu disco se chamasse "Disco_Arquivo" e VM no Proxmox tive o número 171, seu comando seria: 

# qm importdisk 171 MSDOS.raw Disco_Arquivo --format qcow2
A saída é assim:



Lá na sua VM no Proxmox vai agora apareceu um disco indicado como "Disco não usado 1". É esse disco "vm-106-disk-1.qcow2" que importamos.

A opção "--format qcow2" transforma o arquivo .raw em .qcow2. Se você não colocar essa opção, terá que converter depois usando o comando "DD".
# dd if=arquivo_destino.raw of=/local/disco_vm_nova
Assim, você teria que executar isso aqui ainda:
# dd if=vm-106-disk-1.raw vm-106-disk-1.qcow2
Por isso recomendo que use o "--format qcow2" na hora de importar o arquivo .raw.

Já estamos quase finalizando. Agora volte ao Proxmox, na sua VM e vá em Hardware e clique duas vezes no disco não utilizado e escolha "Adicionar". Agora vá em Opções e arraste o disco para o primeiro lugar na ordem do boot.

Pronto! Seu disco criado em .vmdk ou .vdi foi convertido em .raw, enviado ao Proxmox usando o Filezilla, importado para a VM do Proxmox e a VM está funcionante!

Só usar agora!

Nos próximos dias, vamos começar a instalar as VM dos Windows antigos (porque pra instalar o MS-DOS já foi aqui).

É isso que temos pra hoje! 

sábado, 8 de abril de 2023

Turorial: Instalando o Windows 10 e Windows 11 no Proxmox do jeito certo!

Pessoal,


Como já disse aqui no blog algumas vezes, sou fã de máquinas virtuais.

Já tivemos uma série para instalar o MS-DOS e todos os Windows até o XP (veja o início da série "Nostalgia" aqui), já tivemos alguns posts para dar dica de instalação de Windows 11 em computadores não compatíveis (veja aqui), seja VM ou não, já tivemos posts para registrar o Windows 10 e 11 (veja aqui e aqui) e post para ensinar a remover os "lixos" que vêm de fábrica no Windows 10 e 11 (aqui).

Tudo isso, além de funcionar para VM, funciona também para computador de verdade.

Além disso, além do Synology onda roda o NAS e vários Dockers, tenho um PC véio (um core i3 de 4a geração com 16GB de RAM, dois HDs - um de 01 TB e um de 500GB - para instalar várias VM e imagens) rodando o Proxmox.

Optei pelo Proxmox porque queria especificamente rodar VMs e não criar um NAS (nesse caso, poderia ter instalado o TrueNAS Scale (que roda em Linux) ou o UnRaid, uma vez que ambos têm poderosas ferramentas para criação de VMs). Esses últimos são sistemas de NAS que permitem criar VMs; o Proxmox é um hypervisor do tipo I baseado em Debian desenhado para a criação de VMs. Já citei muito o Proxmox aqui porque já o uso há bastante tempo.

Todavia, o uso do Proxmox, apesar de ser fácil, está longe de ser trivial. Criar uma VM nele é fácil, porém algumas opções presentes em programas como VMWare ou Virtual Box podem não estar presentes. Aí, meu caro, a sua VM não vai subir na moleza...

Um exemplo é quando a imagem do SO a ser instalado é uma imagem de disquete (para sistemas antigos como o MS-DOS). Aqui eu conto a novela para instalar o MS-DOS no Proxmox. O resumo do resumo é que eu precisei instalar o Virtual Box, criar uma imagem com o DOS nela e exportar o o HD virtual para o Proxmox. Em breve vou fazer a instalação de todas as versões do DOS e Windows no Proxmox e vou explicar detalhadamente aqui no blog.

Toda essa explicação é para dizer que as instalações do Windows 10 e 11 podem ser mais bem feitas que simplesmente colocando a ISO no Promox e ficar apertando next até concluir. Vou mostar como fazer no Windows 10 e o que fazer a mais no Windows 11.

Esse post terá bastante texto e poucas figuras, uma vez que muita coisa aqui já é pressuposto que vocês saibam fazer (usar Proxmox, instalar Windows, etc).

Vamos lá!

Fazendo os downloads

A primeira coisa é uma imagem do Windows 10 ou 11. Faça do jeito certo e vá até o site da Microsoft e baixe as imagens oficiais. Para o Windows 10, use esse link aqui ou procure no Google. Para o Windows 11, use esse link aqui. Como dito, ambos levam para o site da Microsoft. Baixada a ISO, vá ao Proxmox, escolha o volume que você definiu para colocar as ISOs e faça o upload da imagem (3) ou forneça o link do download para o Proxmox baixar para você (4).


O Windows não tem suporte nativo para alguns dispositivos e periféricos virtualizados. Assim, existem drives paravirtualizados para kvm / Linux para permitir o acesso direto a esses dispositivos ao invés de emulá-los, o que torna o processo bem mais lento.

Para obter esses drivers, siga essa instrução: vá até a página dos drivers do Windows para Proxmox (Windows VirtIO Drivers, aqui). Neste site, vá em Windows OS Suport e haverá um link para o site da Fedora. Entre na pasta mais recente (hoje é a "virtio-win-0.1.229-1"). Dentro dessa pasta, baixe o arquivo ".iso".


Do mesmo modo, ou você faz o download e depois o upload para o Proxmox ou copia o link e deixa o Proxmox baixar para você.

Na página do Windows VirtIO Drivers, existe também a opção de baixar este arquivo na última versão (latest, aqui) ou a última versão estável (stable, aqui). Para coisas mais sérias, vá de stable; para testes, arrisque o latest.

Criando a VM

Agora vamos criar a VM: vá ao Proxmox, clique em "Criar VM" e escolha, na primeira tela, o nome da VM.

Na tela "SO" selecione a imagem que você subiu para o Proxmox e escolha o sistema operacional com Windows e versão "10/2016/2019" para Windows 10 ou "11/2022" para Windows 11.

Em "Sistema", deixe o padrão mas marque a opção "Agente Qemu". 

Em "Discos", é recomendado mudar o tipo de barramento de IDE para SCSI e alterar o cache de default para write back; selecione também o local de armazenamento do seu disco virtual e tamanho do disco (eu separei 100GB para o Windows).

As próximas telas (CPU e Memória) dependem do seu hardware. Como as coisas por aqui são modestas, escolhi dois sockets e dois núcleos e 08 gigabytes de RAM. Se quiser ver isso mais a fundo, sugiro que assista esse vídeo do Fábio Akita. Um detalhe interessante é que, em Memória, você pode escolher uma quantidade mínima e máxima de RAM que será destinada à sua VM, a depender dos recursos e necessidades da sua VM e do seu hardware (aqui eu coloquei 08GB de RAM mas mínimo de 04GB).

Em "Rede", troquei a placa de "Intel E1000" para "VirtIO (paravirtualizado)". Essa placa será instalada posteriormente, usando os drivers que foram baixados.

Agora finalizamos a criação do VM (mas ainda não podemos executar). Antes de iniciar a instalação do Windows propriamente dita, volte à tela do Proxmox, clique na VM que acabamos de criar e vamos adicionar a imagem ".iso" dos drivers. Então vá em Hardware -> Adicionar -> Adicionar drive de CD/DVD -> escolha barramento "IDE" e escolha como unidade "1" (padrão é "0") -> selecione o local armazenado e a imagem -> finalize com "Adicionar". Perceba que você terá dois drives de CD/DVD: um onde está a imagem do Windows e outra onde estão os drivers.

Instalando o Windows 10

Agora vamos instalar o Windows normalmente, clicando em "Iniciar" a VM que foi criada. Acompanhe o processo utilizando o "Console".

Faça uma instalação normal: escolha o idioma e o tipo de teclado. Não se preocupe com a chave do Windows, isso fica pra depois. Escolha a versão do Windows (aqui é Windows 10 Pro), aceite os termos da Microsoft e siga em frente.

Aqui começam as coisas difentes: escolha instalação "Personalizada".

Você vai perceber, para seu desespero, que não há HD para instalar. Como usaremos drivers paravirtualizados, vamos ter que dizer ao Windows onde estão esses drivers (lembra do CD com imagem dos drivers?). Então selecione "Carregar driver" -> Procurar -> "Unidade de CD: virtio-win-0.1.229" e aperte na seta para mostrar as pastas desse disco.

Agora vamos escolher alguns drivers: o primeiro a controladora do HD em "vioscsi -> w10 -> amd64 -> ok -> Avançar". Agora o driver da placa de rede em "NetkVM -> w10 -> amd64 -> ok -> Avançar". O próximo passo é escolher os drivers para memória RAM em "Balloon -> w10 -> amd64 -> ok -> Avançar".

Agora podemos continuar a instalação. Mesmo com o HD mostrando "Espaço Não Alocado", basta apenas clicar em "Avançar" e tocar a instalação para frente. Demora uns minutos, reinicia algumas vezes, mas siga em frente!

A instação do Windows 10 é aquela mesma coisa maçante. Quer empurrar alguns serviços (Cortana? Quem usa Cortana? Mais pessoas devem usar a Siri do que a Cortana...), quer usar dados para telemetria, etc...

Assim que a instalação terminar, ainda temos algumas coisas para fazer. Para isso, acesse o menu Iniciar -> Gerenciador de Dispositivos e repare que alguns dispositivos podem não estar instalados. 


Para resolver isso, é só clicar duas vezes no nome do dispositivo e ir em Atualizar Drivers -> Procurar drivers no meu computador e navegar até o CD dos drivers.

A última coisa é instalar o "Guest Agent" ou "Agente Convidado", utilitário que envia ao Proxmox algumas informações sobre IP. Além disso, há uma melhoria geral do sistema como um todo.


Para instalar, vá ao CD dos Drivers -> guest-agent -> qemu-ga-x86-64. Após a instalação, reinicie a VM e ficará assim:




Outra coisa importante é ajustar o tamanho da tela da VM para a sua tela real. Basta clicar na tela, em qualquer lugar, com o botão direito e escolher "Configurações de Exibição" e escolher a resolução. Eu estou rodando aqui em FHD (1920x1080p).

Por último, sugiro que acesse as VM do Windows que estão no Proxmox através do Microsoft Remote Desktop. Pelo menos pra mim, o ganho de performance foi considerável. Basta procurar na caixa de pesquisa por "Remote Desktop Connection", ir em configurações da tela remota, ativar o Remote Desktop e pronto. Faça o download para Windows, Mac (e acho que Linux) para acessar por esse protocolo.


Instalando o Windows 11

Existem algumas pequenas diferenças para instalar o Windows 11 no Proxmox. Um dos principais problemas é a "novidade" da Microsoft para o W11 - o TPM 2.0.

TPM 2.0 é a versão 2.0 do Trusted Platform Module, um processador instalado nas motherboards com a função de segurança (criptografia, senhas, etc). Se quiser saber um pouco mais, olhe aqui.

Já falei aqui e aqui sobre como instalar o Windows 11. Instalar no Proxmox é bem fácil, bem mais simples que em outros hypervisor do tipo II como VMWare ou VirtualBox (nesses é necessário editar o registro do Windows, bem mais trabalhoso).

Para instalar o Windows 11 no Proxmox, tudo começa como no Windows 10: baixando a imagem de instalação no site da Microsoft e baixando os Windows VirtIO Drivers (os links estão no começo do texto). O arquivo do VirtIO é o mesmo, seja para W10 quanto W11.

As principais diferenças são essas:

1 - na hora de escolher o SO, lembre-se de trocar para Microsoft Windows (o padrão é Linux) e escolher, em versão, "11/2022";

2 - em Sistema, escolha "q35" para Máquina, "OVMF (UEFI)" para BIOS, marque "TPM" e escolha a versão 2.0 e, em "EFI Storage", onde você vai colocar a BIOS, tem que ser o mesmo lugar onde você colocará o TPM (em "TPM Storage");

3 - em CPU, escolha pelo menos 2 soquetes e 2 núcleos, pelo menos 8GB de RAM; alguns especialistas recomendam trocar o tipo da CPU para "host" e outros recomendam deixar o padrão (kvm64) - no meu caso não fez diferença;

4 - em Disco Rígido, escolha "VirtIO Block";

5 - em Rede, assim com no W10, escolha "VirtIO (paravirtualizado)".

E pronto. Acabou. Agora é só instalar como no W10, só lembrando de escolher a pasta W11 como fonte dos drivers. E no final execute o programa "virtio-win-gt-x64" que está na pasta raíz do CD de drivers. Muito fácil.

Por que o título diz que é do jeito certo? Porque usamos alguns drivers para acessar diretamente a placa de rede e a memória, ganhando em tempo de execução da VM! 

Para concluir, veja aqui como registrar sua cópia do Windows 10 e/ou 11 (apenas para testes, ok?).

Bom, é isso por hoje!

domingo, 5 de março de 2023

Cloudflare Tunnel: melhor que VPN! O serviço que eu procurava para acesso remoto!

Pessoal,


Descobri um serviço excelente para acessar remotamente os computadores de casa com segurança: Cloudflare Tunnel!

Imagine que está fora de casa, seja no trabalho ou em uma viagem, e deseja acessar um computador ou seu NAS em casa. Existem algumas possibilidades. A mais tradicional, por segurança, é através de uma VPN (não essas VPNs pagas, mas um serviço com o OpenVPN ou WireGuard.). Outra possibilidade é escancarar seu computador expondo ele na internet através de uma autorização no seu firewall.

Aqui entra a esse túnel da Cloudflare: você instala um cliente dentro da sua rede (seja em Windows, Linux, Mac ou um container Docker) para criar uma conexão segura com a Cloudflare. Após essa etapa, criaremos um ou vários nomes para acessar os serviços internos (através de FQDNs - Fully Qualified Domain Names ou Nomes de Domínio Totalmente Qualificados, DNS Names ou registros CNAME).

Assim, por exemplo, pretendo usar para acessar meu Synology NAS sem precisar expô-lo através do Quickconnect ou abrindo o firewall para tanto. Posso simplicar e criar um 'synology.meudominio.com.br' para o NAS e passar para a Cloudflare qual o endereço IP privado e a porta. O Synology usa uma interface HTTP através da porta 5000, mas quando acessamos através desse túnel, essa interface se torna uma conexão HTTPS pela porta 443.

Só vejo vantagens: é um modo conveniente de acessar seu conteúdo privado, tem o redirecionamento de uma porta HTTP 5000 para a porta HTTPS e, uma vez que estamos conectados a um FQDN gerenciado pela Cloudflare, também ocultramos o nosso endereço IP WAN!!! Sério, é muita vantagem!!!

Talvez o grande  "inconveniente" seja a necessidade de ter um nome de domínio registrado. Pelo que procurei, esses domínios gratuitos como No-Ip e DuckDNS não servem para isso. Assim, eu optei por registrar um domínio para mim.

Sugiro que vocês pesquisem bastante pois os preços variam muito, principalmente a depender do TLD (Top Level Domain ou sufixo de domínio, o ".com" ou ".com.br"). Os TLDs da modinha, como .info, .app, .tech e outros podem custar algumas centenas de dólares a mais que os .com ou .com.br. Mas essa é uma decisão individual. Eu registrei o meu através da própria Cloudflare pois queria um TLD ".com" e a Cloudflare era mais barato que encontrei.

Indo em frente, é necessário um registro gratuito no Cloudflare. Após o registro e o login, você verá essa tela aqui:


A marcação "1" mostra o seu domínio ativo já cadastrado no Cloudflare. Caso não tenha um, é necessário adicionar o domínio clicando na marcação "2". Essa parte foge do escopo deste texto, então clique aqui para aprender a transferir seu domínio para a Cloudflare segundo as exigências dela. Asseguro que é bem simples. Basicamente você terá que trocar os nameservers de onde está hospedado o seu domínio pelos nameservers da Cloudflare.

Passada esta etapa, vamos criar o túnel! Clique no seu site (lá na marcação "1"). Deve aparecer uma tela com opções de serviços da Cloudflare. Desça e escolha a opção "Free". Deve ser pedido o seu cartão de crédito, mas nada será cobrado (se quiser ficar tranquilo, coloque um cartão virtual com apenas 5 dólares e que dure apenas um ou dois meses...).



Depois, tendo seu domínio devidamente registrado na Cloudflare, eles irão oferecer alguns serviços gratuitos para aumentar a segurança e velocidade de acesso (reescreve o endereço usando HTTPS, redireciona as requisições de HTTP para HTTPS e utiliza a compressão Brotli para acelerar o tempo de carregamento das páginas). Sugiro ativar tudo.


Agora os servidores da Cloudflare vão processar essas mudanças do registro do domínio e isso pode levar algum tempo, às vezes algumas horas. Você será notificado quando tudo estiver pronto (pelo email de cadastro na Cloudflare) e no painel da Cloudflare estará esta mensagem:


Clique nesse site e vamos criar o túnel:


Clique em Traffic -> Cloudflare Tunnel -> Launch Zero Trust Dashboard. Na tela que surgirá, a do Cloudflare Zero Trust, clique em Access -> Tunnels:


Escolha o nome do seu túnel e clique em "Save tunnel":


E agora escolha como irá instalar o conector na sua rede interna.


Como eu tenho um Synology NAS e ele fica ligado constantemente e hospeda uma página onde eu faço meu dashboard dos diversos serviços que rodam nele e em outros computadores, optei por instalar um container Docker nele para fazer isso.

Agora vá para o Docker do Synology e faça o seguinte:


Em Registro (1), digite Cloudflare para pesquisar (2) por esta imagem. Escolha a imagem cloudflare/cloudflared (3) e clique em baixar (4). Quando aparecer a janela para escolhar a marca, escolha "latest" (5) e clique em Selecionar (6) para iniciar o download da imagem. Feito isso, vamos preparar a imagem para executar:


Em Imagem (1), escolha a imagem que foi baixada (2) e vamos abrir para configurar. A primeira opção é para escolher a rede do container:


Agora vamos escolher o nome do container, ativar a reinicialização automática e escolher as configurações avançadas:



Após clicar em "Configurações avançadas", vamos precisar usar o comando para criar o container docker que o Cloudflare sugeriu mas será necessário editar algumas coisas. Copie para um editor de texto o comando do Docker e faça as mudanças. Tudo que está no retângulo vermelho será retirado e o que está em negrito continuará:


Após a edição, ficará assim:


Esse texto será colado nas Configurações avançadas, na aba "comando de execução":


Pronto! Clique em Salvar e depois em Avançar. Podemos executar agora com segurança. Quando voltarmos à página da Cloudflare, vamos ver isso aqui:


Pronto! A conexão foi bem sucedida! Clique em "Next"para criar os FQDN (os DNS names para acessarmos os serviços na nossa rede privada).


E é essa facilidade toda aí: como subdominínio, escolhi "nas". O domínio é o que você tem registrado (o seu <qualquercoisa.com.br>). Depois você coloca as configurações de como está acessando o serviço dentro da sua rede. O Synology é desse jeito: http://192.168.1.2:5000. Vejam que o túnel foi criado:


E é isso!

Só tem uma questão importantíssima! Quem souber esses FQDNs entrará na rede rapidamente! Assim, precisamos configurar um bloqueio. O Cloudflare Tunnel tem basicamente todos os serviços de SSO (Single Sign On) como veremos a frente. Inicialmente volte para a tela de iníico do Cloudflare Zero Trust e clique em "Settings" -> Authentication":


Perceba que apenas um modo de autenticação está ativado. Clique em "Add New" para escolher outros métodos:


E veja todos os métodos possíveis! Só fica inseguro quem quiser!


Esse método de One-time PIN já ajuda bastante. Ao tentar conectar no endereço, aparecerá essa tela:


Quem desejar entrar deverá ter um email cadastrado para acessar o túnel (sim, se você colocar outro email que não o cadastrado você não receberá o código de segurança). Digitando o email correto, o usuário receberá um email assim:


E esse código deverá ser digitado na página de acesso:


Pronto! Agora você consegue entrar.

Esse email é definido no menu da Cloudflare Zero Trust acessando: Access -> Applications e aí vcoê clica em "Add an aplication" -> Self-hosted e escolhe um nome e coloca o domínio. Interessante aqui é colocar um asterisco (sim, um "*" - coringa) no subdomínio para que essa regra de segurança valha para TODOS os serviços hospedados nesse domínio! Na página seguinte você escolhe as regras de segurança. Eu colocquei assim:


Dese modo, as mensagens são enviadas para o meu email pessoal, há bloqueio para acessos originários de alguns países conhecidos por ataques de hackers e, por padrão, preenchendo esses requisitos, o acesso é autorizado.

Há muita, muita coisa para fazer aqui ainda. Estou só aprendendo a usar essa ferramenta!

É isso, pessoal!





quarta-feira, 1 de março de 2023

Dica: Novo método para registrar o Windows 10 e Windows 11! Funciona e é bem fácil!

Pessoal,

Hoje fui instalar o Windows 10 aqui no Proxmox e tive a surpresa que o método descrito aqui não funcionou...

Usei esse método várias vezes e nunca tive problemas. Mas dessa vez não rolou. Deu mensagem de erro sempre no terceiro e último comando. Tentei trocar o serial, reiniciar a VM e nada...

Aí fui procurar e achei um método bem interessante e simples.

Primeiro, abra o PowerShell como admin. Depois execute esse comando:

      irm https://get.activated.win | iex 

Pronto. Deve abrir uma tela assim:


Apareceu aí? Ótimo!

Agora clique na opção "1" e deixa a mágica acontecer...

Pronto! Seu Windows está registrado. Serve para o 10 e para o 11!

É isso por agora, pessoal!

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Dica: como editar PDF

Pessoal,


Exportar um arquivo de Word ou PowerPoint para PDF é trivial.

E fazer o contrário? Pegar um PDF e exportar para Word? Seja para copiar ou editar alguma informação?

Para isso existem as ferramentas pagas e as gratuitas.

Dentre as pagas, você tem poucas que sejam compras únicas, como o Wondershare, e as mais comuns que são por assinatura, como o Adobre Acrobate e o FoxIt.

A proposta deste post é apresentar alguma coisa que seja gratuita, (não freemium, mas free mesmo) e offline (de preferência).

Já aviso antecipadamente: as soluções que vou colocar aqui AJUDAM, mas não são tão perfeitas quanto as pagas! Infelizmente.

A primeira dica é um site. Tá, não é offline. Mas é free!


Esse simpático serviço pega o seu PDF e transforma em Word, Excel (sem as fórmulas das planilhas, óbvio), em PowerPoint. A versão gratuita permite converter o texto "selecionável" em .docx e a versão paga transforma todo o texto, inclusive o dentre de imagens e gráficos, em editável. Arraste o PDF para a página e depois faça o download. Funciona muito bem, mas cada download deve ser efetuado com intervalo de 10 horas!!! 

Por isso não gosto de "free"ou "freemium".

A segunda dica é melhor.


Já vou começar sendo sincero: não gosto do LibreOffice. Nunca gostei. Acho poluido, confuso, sei lá, tem a cara demais de "open source" no sentido pejorativo mesmo. Coisa de nerd que não está nem aí se é confuso pra todo mundo, só na cabeça do programador é que tem alguma lógica.

Desabafo feito, vamos lá. Abra o LibreOffice, vá em cima em "File -> Open..." e na janela que se abre vá em "Mostrar Opções -> File type" e desça até "PDF - Portable Document Format (Write) (*.pdf). Sim, é cheio de mistura de português com inglês. Acredite quando eu digo que não gosto do layout da maioria dessas ferramentas open source, especialmente se foram criadas para Linux e daí portadas para os outros SOs.


O arquivo será aberto e estará totalmente editável. Mas isso tem, claro, um preço.

Se você quiser manter lindamente a formatação, o custo será pago à Adobe. Se você topar abrir mão da formatação, o custo é esse mesmo...


Conseguem perceber como a formatação foi perdida do PDF original (à esquerda) para o padrão que convertido (à direita)?

- Então, muito prazer! Preço ao seu dispor!

Os programas feitos para manipular PDF, como Adobe Acrobate, não têm ESTE problema. Têm outros, a começar pelo preço.

Bom, quando eu já estava desanimado, achei esse site aqui: pdf2doc.com. Então essa é a terceira dica:


Site super simples: arraste o PDF e depois faça o download. O arquivo vem zipado e, após descomprimir, temos o .doc.

Sem comentários!


Vejam que está muito, muito aceitável. Essas linhas vermelhas à direita são do Word tentando encontrar a palavra no dicionário.

Veja aqui uma edição:



Chego quase a dizer que está perfeito, exceto porque alguns símbolos e alguma formatação foi perdida. Mas está muito melhor que todas as outras opções!

O grande problema é manter o seu arquivo em PDF lá no servidor de sei-lá-onde-é... Diz o site que apaga os PDFs depois de uma hora. Vai saber...

Mais uma vez, esse é o preço...

Eu já tinha falado isso há algum tempo (veja aqui). Na época foi uma dica com o Automator e uma com o Google Docs.

É isso, pessoal!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Synology Tutorial: como obter o UID e GID do usuário do Synology

Pessoal,


Tutorial rapidinho para obter o UID (User IDentifier) e GID (Group IDentifier) do usuário do Synology. Ocasionalmente esses nomes aparecem também com PUID ou PGID.

Grosso modo, o UID é um número criado pelo DSM (e por distros Linux, pelo BSD, pelo MacOs, etc) para cada usuário do sistema e essa identificação é que sinaliza ao sistema operacional quais recursos o usuário pode ter no sistema.

O GID funciona de forma parecida, mas para grupos de usuário. Geralmente o GID 0 é do root, de 1 a 99 é reservado para o sistema e o 100 é para o grupo dos usuários.

Com frequência precisamos saber o UID e o GID para algum container do Docker.

Explicado isso, temos dois modos de descobrir o UID e GID.

O primeiro modo é por SSH, via Terminal, Putty ou equivalente. Para tanto, você deve saber o IP do seu NAS, ter um usuário ativo para acesso e ter o SSH ativado.

Para ativar o SSH, vá em Painel de Controle -> Terminal e SNMP -> Terminal -> Ativar o serviço SSH. A porta padrão do SSH é a 22, mas é extremamente recomendado que você utilize outra porta que não seja a padrão.


Para efetivamente obter o SSH, abra o Terminal / Putty / Shell e digite o comando e tecle enter ao final:

# ssh <usuário>@<ip do seu NAS>

Após entrar no NAS, digite o comando abaixo e tecle enter:

# id
Pronto, simples e efetivo.


Esse modo funciona em basicamente qualquer situação.

Mas existe uma outra forma mais "divertida" e prática de fazer isso no Synology

Vá em Painel de Controle -> Programador de Tarefa:


Agora vá em Criar -> Tarefa agendada -> Script definido pelo usuário:


Na tela que se segue, em "Geral" escolha o nome da tarefa e o usuário:


Em "Programação", escolha "Executar na seguinda data" e "Não repetir", uma vez que queremos acessar esta informação apenas quando desejado, não de forma programada.


Em "Configurações de tarefa", ative "Enviar detalhes da execução por e-mail" e coloque o seu email no campo; em "Executar comando", no campo "Script definido pelo usuário", digite "id". Termine com "OK".


Para executar o script, selecione a tarefe e clique em "Executar" e confirme que deseja executar.


Agora acesse seu email e veja:


Pronto! Também simples e eficaz. Da próxima vez que quiser obter o UID e GID, é só mandar rodar essa tarefa novamente!

Por enquanto é isso, pessoal!

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Tutorial e Dica: FreeFileSync para MacOS

Pessoal,


Resolvi aqui a melhor forma para fazer os meus backups. Conheçam o FreeFileSync (daqui pra frente FFS para facilitar).

Recapitulando: eu costumava usar CarbonCopyCloner para fazer meus backups. Usei por anos. Até que inventei de comprar um Synology e descobri que, uma vez que ele usa uma formatação diferente de disco, o CCC não funcionará direito lá. As permissões dos arquivos ficam inoperantes e o CCC refaz o backup a cada gravação. O problema é que tenho uma pasta de mídias com mais de 01TB de dados. Se ele ficar regravando isso toda vez, vai estragar os HD (o de leitura e o de gravação) e perde completamente o propósito da coisa.

Assim, tive que procurar outras soluções.

Achei o ChronoSync, que faz tipo o que o CCC faz, funciona para o NAS. Só que é pago.

O Synology tem duas opções: Hyper Backup e Active Backup for Business. O primeiro copia todo o MacMini para o Synology. É ótimo, mas não é o que eu quero fazer, uma vez que não permite escolher pasta a pasta. É meio tudo ou nada. O segundo é mais ou menos a mesma coisa.

Procurei vários e vários programas mas só encontrei um que resolveu: o FreeFileSync.

Ele permite escolher pastas ou discos, faz a sincronização das pastas ou o backup incremental e é de graça.

Para criar uma tarefa é bem simples: clique em Novo, arraste ou digite o endereço de origem (lado esquerdo) e arraste ou digite o endereço do destino (lado direito).


Clicando na "roda dentatda" azul você escolhe como que comparar os arquivos da origem e do destino (por data e tamanho, por conteúdo ou apenas pelo tamanho) e na "roda dentada" verde você escolher o que fazer na cópia (coloca todas as modificações dos dois lados em ambos os lodos, espelha um lado no outro, só atualiza - esse é o 'incremental' - ou personaliza o que quer fazer). Existe ainda um filtro onde é possivel excluir alguns arquivos e pastas do backup.


Após isso, basta salvar e dar o nome que quiser para a sua tarefa de backup.


Se você reparar bem, há três opções para salvar: "Salvar" e duas de "Salvar Como". A primeira não tem dúvidas e o programa grava com um nome padrão. As outras duas permitem a escolha do nome. Só que a opção da esquerda salva apenas a configuração do seu backup. Já a da direita salva um arquivo em lote (batch, se estivessemos no Windows seria .bat) que será utilizada para criar o agendamento do backup. Explico mais a frente.


Após isso, clique em "Sincronizar" e ele começará as cópias (apesar de estar escrito "sincronizar", o programa fará o que você escolheu na "roda dentada" verde). Aí é deixar o backup ser feito, às vezes demorando algumas horas...


O interessante vem para fazer o agendamenteo dos backups. A primeira coisa é criar uma tarefa em lote, um "batch". Para isso selecione uma tarefa que você já tinha salvado antes e, após clicar nela, salve como "Tarefas em Lote", clicando no icone do disquete com caixa de DOS (eita coisa véia...).


Marque as opções como aparecem acima. Se você usa Windows, precisará criar uma tarefa como o Windows Task Scheduler (veja como fazer isso aqui). Para o MacOS, usaremos o Automator. Abra ele em Aplicativos ou procure por ele no Spotlight ou Launchpad.


Escolha "Novo Documento" e, na tela que se abrirá, escolha "Alarme do Calendário":


Agora você precisa ir na pasta onde salvou o arquivo batch (a pasta "Documentos" é o padrão de salvamento, caso você não tenha escolhido nenhuma; eu escolhi "Documentos -> FreeFileSync", para deixar mais organizado). Agora, arraste o arquivo como o final "ffs_batch", ou seja, o arquivo batch para o Automator:


No Automator, clique na opção "Arquivos e Pastas" em Bibliotecas e depois arraste a opção "Abrir Ítens do Finder" para o seu workflow.


E agora salve em "Arquivo -> Salvar...". Assim que salvar, o aplicativo "Caelendário" irá abrir automaticamente. Clique na tarefa que você criou e escolha o dia, hora e frequência de backups.


Pronto! Simples, efetivo e de graça!

Vamos agora procurar outro problema para resolver!

Por enquanto é isso, pessoal!