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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Review - Fone Bluetooth por condução óssea

Pessoal,


Primeiro post do ano! Adeus 2023, ano excelente! Bem-vindo, 2024! Que seja melhor ainda!!!

Nesse primeiro post do ano gostaria de fazer um review sobre fones de ouvido. Era pra ser uma dica / recomendação. Só que a dica é: fuja deste modelo que comentarei.

Como já contei aqui no post, corro na rua desde 2006. Já usei celular para correr, já usei MP3 Player genérico, já usei o Mighty e já usei iPod. Todos com fone de ouvido com cabo.

Só para documentação, meus iPods foram, na ordem de compra:

1 - iPod Mini 2a geração de 06GB 😵, modelo A1051, de 2005. Comprei o meu usado em 2006 (a pessoa que me vendeu não tinha usado ele nem duas vezes!). Esse durou bastante tempo e foi trocado pelo Shuffle 2G porque era grande e pesado para correr (só que quando o Shuffle se foi, ele voltou ao uso até dar pau no microHD e ser trocado em definitivo).



Eu até tentei trocar o MicroHD e a bateria dele, colocando um cartão do tipo CompactFlash, mas não rolou. Quem sabe eu tento reparar e colocar um outro depois? Esse modelo é moderadamente fácil de reparar, segundo o iFixIt. O reparo, uma vez que é relativamente fácil, vale a pena a ser feito (principalmente a troca do HD por memória flash e troca da bateria). Na época de venda, custava cerca de US$ 249. Veja mais sobre esse modelo aqui, aqui e aqui.


Esse aqui é o famigerado MicroHD que dava muita tristeza para os proprietários desse modelo:


2 - iPod Shuffle 2a geração de 02 GB 😵, modelo A1204. Esse morreu e está em local incerto e desconhecido, mas era igual esse da foto abaixo:


Ele tinha esse base de carregamento. O problema do meu foi oxidação no conector de carregamento. Assim, foi pro saco :(. Esses iPods, de acordo com o iFixIt, devido ao grau extremo de miniaturização, são de difícil reparo. O iFixIt considera como de reparo "muito difícil". E pelo valor na época, cerca de US$ 69, não valia o reparo (e provavelmente ainda não vale). Veja mais informações sobre esse modelo aqui, aqui e aqui.


3 - iPod Nano 5a geração de 16GB 😊, modelo A1320, custava US$179 (o de 8GB custava US$ 149) na época do lançamento. Esse ainda funciona e foi o modelo que eu usei para correr a maratona de POA em 2023, já que o iPod Shuffle 4G vermelho tinha morrido durante o início dos treinos :(.




Na época em que comprei, em 2009, a ideia era substituir o iPod Mini (que era pesado e cabia menos música, além de usar um HD - a ideia era "poupar" o HD). Acabou que achei o Shuffle 4G mais viável para corrida (mais leve e mais fácil de fixar na roupa por causa do clip). Ficou meio que guardado e voltou ao uso em 2023. Reparem: comprado em 2009 e funciona em 2023!! Também é considerado de difícil reparo devido ao tamanho compacto dos materiais. Veja mais sobre esse modelo aqui, aqui e aqui.



4 - iPod Shuffle 4a geração de 02GB (um preto meu 😵 e um vermelho da esposa 😵), modelo A1373 "late 2012", comprados em 2013, por US$ 49 cada.



Verdadeiros tanques de guerra. O meu, o preto, aguentou o tranco pesado de treinos por bons anos. Quando a bateria passou a não segurar o suficiente para os treinos maiores, peguei o vermelho da esposa (que estava encostado) e usei até começar o treino do maratona de POA (início de 2023). Ou seja, duraram uns 10 anos!!!

Assim como todos os modelos de iPod Shuffle, a nota de reparabilidade é baixa porque são muito compactos. Pelo preço, era melhor comprar um novo que o trabalhão para tentar reparar. Veja mais aqui, aqui e aqui.


5 - iPod Classic 6a geração "modificado" com 256GB de memória flash 😊, modelo A1238 (late 2009). O meu foi comprado no eBay (falei disso aqui) por US$ 180 enquanto custava, na época, US$ 249!


Apesar de ser um de 6a geração (ou geração 6,5, uma vez que havia sido lançado em 2007, atualizado em 2008 e novamente em 2009), alguns lugares chamam esse modelo de "7a geração". O próprio iFixIt o chama de 7a geração mas diz que é o 6a geração com mudança do tamanho do HD e direciona para reparos usando os tutoriais da 6a geração. Esse modelo, apesar de ser "grande", é de difícil manutenção pois a abertura dele é bem mais difícil que outros modelos como o Mini, por exemplo. Veja mais detalhes desse modelo aqui, aqui e aqui.

Apesar de não ser iPod, vale (ou não) comentar sobre esse aqui: o Mighty!





Já comentei sobre ele aqui no blog e foi uma das minhas grandes decepções. A ideia é ótima mas o produto é ruim. Ainda é vendido e agora custa US$ 125 (na época que comprei, em 2019, custou acho que US$ 99, não lembro mais).

Porque o Mighty é ruim? Principalmente porque a bateria é fraca. O primeiro durou menos de um ano, o segundo um pouco mais que isso. Mas o processo de baixar as músicas pra ele é de chorar de tão lento (isso é um problema na primeira conexão, devo ser sincero, porque a manutenção/verificação das playlists é bem rápido). O peso e tamanho são irrelevantes porque, no fim das contas, ele continua sendo pequeno e leve. Mas nada supera o iPod Shuffle. Na minha singela opinião, uma pena que a Apple tenha optado por descontinuar :(

Bom, voltando ao assunto deste post: com todos esses dispositivos, eu sempre usei um fone de cabo. Como o tempo foi passando e o uso foi sendo contínuo, sempre soube que em algum momento esses iPods iriam "morrer". Assim, já sabia que em algum momento teria que começar a usar um fone sem fio (ou voltar a usar um MP3 Player mequetrefe para continuar usando fones com cabo).

Pois bem! Quando comecei a correr, usava um relógio comum para marcar o tempo. Depois comprei um Polar RS200 SD com "pedômetro" para marcar as distâncias. Lembro que esse foot pod funcionava bem mais ou menos. Foi o único Polar que eu tive.

(Polar RS 200 SD, com Foot Pod S1)

Aqui tem um review dele. E aqui estão os manuais (do relógio e do foot pod).

Depois eu comprei esse Garmim aqui: o Forerunner 305.


Um trambolho :) mas excelente equipamento, meu primeiro com GPS. Ele utilizava um software da Garmin para gestão das métricas da corrida. Esse software foi descontinuado e trocado pelo Garmin Express. A vantagem do primeiro é que tudo ficava no MEU computador... Enfim, tempos de informática "na nuvem".

Depois, quando a bateria dele morreu, eu comprei um novo Garmin, o Forerunner 620.


Muito bom também e também morreu a bateria com alguns anos.

Em 2017 eu comprei um novo Garmin, o Forerunner 935. Excelente relógio, porém a bateria durou apenas 1 anos :(


Até cheguei a trocar a bateria dele e ele durou mais um tempo. Mas um dia parou de funcionar do nada. Acho que entrou água e fritou tudo lá dentro.

Aí eu comprei esse aqui: o Forerunner 965.



O grande barato dele é que ele armazena música (via download convencional ou conectando ao Spotify, igual ao que o Mighty faz) e manda por bluetooth! Claro, tem as métricas da Garmin! Inclusive potência de corrida e não precisa daquela fita pra frequência cardíaca e métricas de posicionamento, esse relógio resolve tudo no pulso!

E aqui chegamos no tema desse post: um fone Bluetooth para usar com esse relógio!

Preciso que o fone dure algumas horas de uso (idealmente mais que 6 horas), que seja resistente a água (não precisa ser à prova de água, tipo esses IP68 da vida). Ele precisa suportar suor e chuva pelo menos.

Há alguns anos comprei um AirPod de 1G numa viagem ao exterior. É exatamente o tipo de fone que se adapta aos meus ouvidos, do tipo earbud ou earphone ou auricular (veja os tipos de fones aqui). Detesto aqueles fones do tipo in-ear. Primeiro, porque acho desconfortáveis mesmo. Segundo, porque não dá pra correr na rua com um isolamento do ambiente tão grande assim. Só que o AirPod, apesar de ser muito confortável, não dura muito, é muito caro e cai com alguma facilidade em caso de movimentos extremos. Assim eu usava os earphones da Apple (aqueles que vinham nos iPhones antigamente) porque eram confortáveis, não isolavam tanto e eram ótimos e baratos.

Com o fim da produção dos iPods e, como eu disse, já sabendo que algum momento teria que abandonar os fones com fios, aliado ao relógio novo que tem música, resolvi comprar um fone BT para testar. Mas então resolvi ir mais longe: fones de condução óssea.

Bom, o som normalmente é conduzido pelo ar, fazendo vibrar a membrana timpânica, os pequenos ossos no ouvido e, por fim, estimulando o ouvido interno a transformar as ondas sonoras em ondas elétricas (e conduzindo ao cérebro). O fone de condução óssea faz um pouco diferente: ele vibra diretamente sobre os ossos do crânio (e em menor grau utiliza o ar), conduzindo diretamente ao ouvido interno. É diferente mas é bem eficaz.

Assim, antes de testar, foi procurar alguns reviews. Primeiro, sobre quem entende de fones (Mind the Headphone, comparando 3 modelos). A opinião dele, um audiófilo, obviamente é relevante, embora o foco dele seja diferente do meu: ele quer qualidade de som e eu quero ouvir música enquanto corro e evitar ser atropelado... A opinião dele é algo que eu já tinha ideia: o som de fone de condução óssea é pior que de fones convencionais porque o modo de propagação do som é diferente do que os fones fazem normalmente, além de não vedarem o ambiente.

Então foi procurar a opinião de corredores. Vi o review do Sérgio Rocha (Corrida no Ar), canal que já conhecia, e da Júlia Sette, canal que eu não conhecia. As opiniões foram bem interessante: apesar da não ser um som ótimo, quebra bem o galho e é seguro para correr na rua. O problema é que os preços dos fones que eles testaram estavam acima do que eu estava disposto a pagar. O Sérgio testou o Aftershokz Aeropex, que custa mais de 1000 reias, e a Júlia testou ou Haylou PurFree BC01, que custa quase 500 reais.

Assim, fui num shopping popular aqui em BH e foi testar alguns fones. Testei dois, na verdade. O primeiro, bem xingling, era péssimo. Péssimo do tipo que no máximo de volume eu mal ouvia o som.

O segundo, um xingling "de primeira linha", surpreendeu!




(Carregamento por cabo USB-C!)

(Entrada para cartão Micro-SD!)

(Essa marca no fone é um sensor para ligar, parear e desligar!)

O som era satisfatório, ainda mais para o que se propõe. Além disso, tinha proteção IPX4, ou seja, contra ingresso de água decorrente de projeções de água (chuva e suor). O carregamento era por um cabo USB-A para USB-C e o fone é bem leve.

Na verdade, achei o som bem claro e altura boa. Usei o fone na rua e na academia e ele ficou bem firme na cabeça, sem que o boné atrapalhasse ou incomodasse. Quer dizer, a gente percebe tem algo meio que preso na cabeça, mas é bem suportável.

Até agora a bateria estava durando bastante (já usei por algumas 3 ou 4 horas e ainda tem mais de 60% de bateria!) Surpreendente! Conexão rápida e dava inclusive para assistir filme, sem praticamente nenhum atraso perceptível.

Segundo o fabricante, tem até certificação da Anatel. 😳




Bom, não conhecia a marca e muito menos esse modelo. Custou R$140,00 e achei que tinha valido a pena.

Achei errado. O produto parou com de sincronizar com menos de 2 meses. Não liga, não dá sinal de vida, não sincroniza. Virou lixo tecnológico.

Por enquanto é isso, pessoal! Vou procurar um modelo melhor e aviso vocês!

Feliz 2024 para todos!

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Atualizações sobre as minhas corridas, treinos e minha vida!

Pessoal,


Já faz um tempo que eu estava querendo comentar sobre algumas novidades aqui no blog.

Tem um filósofo de boteco que já dizia que já dizia que "o mundo não gira, ele capota"! É assim mesmo que aconteceu comigo. De novo (veja aqui se quiser entender)!

Pois bem. Como já comentei várias vezes, o hospital em que trabalhei durante 17 anos foi vendido para uma operadora de planos de saúde de São Paulo (operadora bosta, diga-se de passagem) e que foi comprada por uma operador de saúde do Nordeste (operadora merda master, diga-se de passagem). Por questões legais, orientado pelo jurídico aqui de casa, não posso comentar as atrocidades coisas que essa segunda operadora faz contra com seu clientes. Só que eu não queria ser conivente com essas atrocidades coisas, seja por princípios, ética ou qualquer outro adjetivo que caiba aqui.

Assim, quando saí do hospital em 2022 procurando algum lugar que prezasse por segurança do paciente e qualidade assistencial (e encontrei, diga-se de passagem), acabei encontrando um local muito bom nisso mas com uma organização de trabalho muito estranha aos meus olhos (digo "aos meus olhos" porque mais de setenta anestesistas trabalham lá há vários anos e estão muito bem habituados, obviamente o problema era comigo e não com eles ou com a organização deles...). Como não me adaptei, agradeci a oportunidade e voltei para o hospital antigo até aparecer uma nova oportunidade.

E essa oportunidade apareceu em abril de 2023. Local bom, boa remuneração, excelentes condições de trabalho, pacientes complexos... Fui convidado para fazer substituição na equipe a partir de maio e, em julho, fui convidado a ingressar na equipe efetivamente.

Adaptação, adaptação, adaptação. Pessoas novas, ritmos diferentes, regras estranhas. Mas tudo isso faz parte do jogo e eu sabia que teria algum problema em algum momento. Afinal, mais que ninguém, eu me conheço e sei das minhas dificuldades e limitações. Isso já estava na conta.

Depois de trocentos anos, voltei a fazer plantão de fim de semana (que eu detesto) e plantão noturno (que eu detesto mais ainda). Sei que fico mal humorado de noite, sei que fico mal humorado quando não corro no fim de semana ou perco meus treinos, sei que fico mal humorado quando pessoas mal humoradas me tratam de forma ríspida e grosseira, assim com eu fico me martirizando quando eu trato as pessoas assim (e fico remoendo e remoendo isso). Isso também já está na conta.

Enfim, novos locais, novos desafios, novas conexões. E como o mundo não gira, ele capota, a gente tem que se adaptar e se enquadrar nos novos paradigmas e nas novas regras. E isso também já tá na conta.

E optei por entrar de cabeça, "cair pra dentro". Troquei muita da minha liberdade de calendário e flexibilidade de horários para ficar um pouco engessado, mas com "garantia" de trabalhar num local bom, seguro, que se preocupe com paciente e que me garanta uma remuneração justa pelo meu trabalho. Assim, larguei de vez o hospital em que trabalhei por 17 anos e uma clínica de cirurgia plástica que trabalhei por 7 anos para "arriscar" (arriscar com muitas, muitas aspas, ok?) nesse novo local. E já adianto que, apesar de tudo, não me arrependo.

Pouco antes desse novo desafio, havia realizado a maratona de Porto Alegre (comentei aqui). Essa mudança do trabalho vai gerar novas dificuldades para fazer os treinos e para participar das provas. Mas, novamente, tudo isso já estava na conta.

O que não estava na conta era que, depois de fazer um treino super pesado para maratona, todo o período de preparação, enfim, tudo, eu fosse me machucar correndo um treino bobo na rua.

Que conhece BH sabe a cidade tem uma ótima topografia para corredores, #SQN. Assim, saí num domingo de manhã da minha casa no bairro de Lourdes, subi pela Av. Raja Gabaglia até o BH Shopping (mais ou menos 6km de subida), subi a BR em direção aos "motéis" por mais alguns quilómetros e desci a BR e a Av. Nossa Senhora do Carmo linda e loucamente como se não houvesse amanhã. Temperatura boa, dia bonito, domingo de manhã, preparo físico ótimo, música boa e no talo! O que poderia dar de errado, não é mesmo?

Pois é, cheguei em casa, tomei banho, almocei e... o joelho direito inchou. E doeu... Uma semana de molho, e nada de melhorar. Mais uma semana e fiz a RM: lesão parcial no corno posterior do menisco medial do joelho direito. Tratamento proposto: ou fisioterapia e mudar de atividade física ou cirurgia. Optei pela faca. Tenho 48 anos, saudável, gosto de correr e não posso me dar ao luxo de ficar restrito fisicamente para evitar cirurgia.

Cirurgia de 15 minutos sob anestesia local com sedação. Recuperação ótima, pouca dor (sério, gastei apenas dipirona e paracetamol, nada mais) e musculação após 6 semanas. Depois mais 6 semanas de musculação e fui liberado para começar uns pequenos trotes. No último domingo, dia 12/11/2023, fiz 9km sem nenhuma dor!!! O ortopedista liberou pra correr e vou começar a fazer treinos menores e progressivamente aumentar o volume!

Estou muito feliz. Parece que as coisas estão começando a se organizarem após o furação que foi a pandemia do COVID-19.

Para terminar o post, tinha até pensado em colocar aquela música do Mc Ray-Ban (detesto funk, mas tenho que confessar que a letra é hilária!). Bom, a música está aqui embaixo:

Mas acho que a melhor opção, na verdade, é essa aqui!



                                    כָּל עוֹד בַּלֵּבָב פְּנִימ                                                                                     
                                      נֶפֶשׁ יְהוּדִי הוֹמִיָּה                                                                                        
                               וּלְפַאֲתֵי מִזְרָח, קָדִימָה                                                                                        
                                         עַיִן לְצִיּוֹן צוֹפִיָּה                                                                                        

                               עוֹד לֹא אָבְדָה תִּקְוָתֵנוּ                                                                                        
                          הַתִּקְוָה בַּת שְׁנוֹת אַלְפַּיִם                                                                                        
                          לִהְיוֹת עַם חָפְשִׁי בְּאַרְצֵנוּ                                                                                        
                                    אֶרֶץ צִיּוֹן וִירוּשָׁלַיִם                                                                                        



Curtam!

Até próximo post, pessoal!

sábado, 28 de novembro de 2020

Corrida e melhora da saúde

Pessoal,

Sempre fui do tipo mais gordinho. E fazia bem aquele estilo nerd: óculos, bom aluno, mais gordinho, péssimo em qualquer esporte.

O período de faculdade e residência, principalmente a segunda residência (em Anestesiologia), foram bem difíceis. Muito plantão, comia muita porcaria, preocupação zero com a saúde.

Terminei a residência em 2006, com 30 anos. Estava casado há 2 anos, trabalhando muito, dormindo pouco, fumando como se não houvesse amanhã, comendo tudo o que não deveria e não poderia.

Fui fazer um exame admissional para um serviço em 2007 e veio a surpresa: FC de repouso 100. PA de repouso 140x90. Os exames, ah os exames... Glicemia e colesterol, tudo alterado. Peso: 105kg! IMC: 34,68!!

Foi um choque. Mesmo.

Resolvi começar a fazer alguma atividade, alguma que eu gostasse. Comecei a fazer uma caminhada para tentar correr, entrei na academia, comecei a fazer natação. Descobri que gostava mesmo era de correr.

Comecei correndo na Av. Bandeirantes, no Mangabeiras, em BH. É onde eu sabia que tinha uma pista de cooper mais perto da minha casa. Ia lá 2x/semana mais sábado de noite ou domingo de manhã, a depender dos plantões.

A pista tem 1500m. Eu caminhava 6km (ida e volta, duas vezes). Demorou uns 3 meses para eu conseguir fazer isso sem morrer e começar a dar uns trotes. Demorou mais 3 meses para eu conseguir o primeiro objetivo: correr de uma ponta a outra, 1500m, sem parar para caminhar. Um mês depois cumpri o segundo objetivo, correr de uma ponta a outra e voltar (3k), sem caminhar. Mais um mês e eu fiz os 6k (ida e volta, duas vezes), sem caminhar.

Na academia, entrei em uma aula de Running Class. É tipo Spinning, só que correndo na esteira. Conseguia ir duas vezes na semana.

Além disso, fechei a boca e parei de fumar. Saladinha, coisas integrais, comida regrada, tchau cerveja. Em 2 meses, perdi 10kg. Em 6 meses, perdi outros 15kg!

No final de 2007, resolvi arriscar: a equipe da academia ira participar da Volta da Pampulha, a prova de corrida de rua mais tradicional daqui de BH. 18km. Pensei: vamos lá passar vergonha, chance zero de terminar.

E eis que completei. Aos trancos e barrancos, em 2:10h, mas consegui. Em 2009 foi a Meia Maratona do Rio. Em 2010 a Meia da Linha Verde. Sempre fazendo treinos 2 a 3 vezes na semana mais um longão no domingo de manhã.

Corrida passou a ser a minha válvula de escape. Estresse? Corrida. Dormi mal? Corrida. Plantão no meio da semana? Corrida mais longa no fim de semana.

Com isso perdi 30kg no total, ganhei muito mais disposição e consegui fratura de estresse nas duas tíbias simultaneamente! Consegui também uma bursite no quadril, fascite plantar, dores diversas... coisas que muitos corredores conhecem :)

Depois da recuperação teve uma meia em Amsterdam (2014) e Maratona do Rio (2015).

O plano era correr a Maratona de NY esse ano, final de novembro. Só que veio o COVID. E as academias fecharam. E o povo ficou louco na rua (moto já não respeitava nada, agora sobre em calçada, têm aquelas mobiletes FDP com uns malacos mais doidos que os motoqueiros, o povo de carro resolveu dirigir igual moto). Ou seja, correr na rua ficou mais perigoso, principalmente de noite.

Aí convenci minha esposa a deixar eu comprar uma esteira! E comprei. E esse é o assunto deste post!

Pois bem. Quem corre na rua sabe que correr na esteira é uma merda! Principalmente treinos longos. É muito entediante.

No começo do ano, fizemos uma pequena reforma aqui em casa. O quarto que seria do bebê (que não veio e não vai vir mais) virou quarto de TV. Tá com uma TV de 55". Ligado nela tem uma Apple TV e agora o BTV.

Fiz as contas, medi tudo várias vezes e fui procurar uma esteira boa e acessível (sério, vi esteira de 96 mil reais!!!! Sem condições!). Acabei pegando uma da Kikos (KS4202i). Escolhi esse modelo devido ao preço (claro), ao tamanho (coube certinho no espaço), ela é dobrável, tem inclinação eletrônica e atinge uma velocidade bem acima (20km/h) da que eu faço tanto em treino leves (10-11km/h) quanto em treinos puxados (13-14km/h). Ou seja, é robusta para o que eu preciso. Além disso a marca é nacional e tem manutenção aqui em BH.

Para o tempo passar, o plano inicia era assistir videos de virtual running no Youtube. Tem milhões lá, no mundo todo. Colocar uma música no Spotify e pronto.

Aí fiquei conhecendo o Zwift. E programa foi criado inicialmente para ciclistas: é uma mistura de jogo com rede social. Tem um cenário fictício (às vezes aparecem mapas de cidades reais também) onde você se conecta, vê outros que estão perto de você e vai lá e faz seu treino. Com um bom ventilador na frente, a gente nem percebe que está online. É pago para ciclistas (US$15/m) mas é free para running.

Instalei o Zwift na TV, coloquei a esteira na frente da tela e pronto.

Não, pronto não. Para correr no Zwift, você precisa de passar para o programa a sua velocidade. Os ciclistas usam rolos conectados por BT, às vezes com medidor de potência e tudo mais.

Mas para corredores, a gente tem que usar um podômetro (footpod), aqueles que se colocam no tênis. Tem um acelerômetro lá dentro e quando você calibra, ele conta o número de passos e multiplica pelo tamanho da passada, assim dá a distância percorrida. Essa distância, em um determinado tempo, dá a velocidade.

Comprei o original da Zwift no Mercado Livre. Chegou rapidinho, uns 300 reais.









Ótimo! Ótimo? Não!!! A Apple TV não achava esse negócio de jeito nenhum. Mexi nas configurações de segurança para autorizar a achar BT, liguei e desliguei e nada. E ele aparecia no telefone, no computador, na TV...

Mas reparei que aparecia um dispositivo na ATV (e nos outros equipamentos também) que eu não sabia o que era. FS alguma coisa. Cliquei para ver o que era. Era a... ESTEIRA!

Sim, a esteira (esse modelo KS4202i, pelo menos), tem BT. Ou seja, quando eu coloco velocidade nela, ela passa pro Zwift. Cara, resolveu meu problema!

A primeira coisa a fazer foi comprar um tapete de EVA. Protege o chão e ajuda a abafar o som da passada. Os vizinhos de baixo ainda não reclamaram (mas também não corro em horas inapropriadas).

(Coloquei onde estão os apoios da esteira)

(Tem mais ou menos 1cm de espessura)

Comprei no Leroy Merlin. Etapa resolvida.

A esteira fica levantada quando não estou correndo.


Tá bem de frente para a TV. Tem um ventilador para dar uma refrescada. No rack embaixo da TV tem a Apple TV e a BTV. Vou comprar uma caixa de som BT para tocar uma música também.

Quando vou correr, fica assim:



Não se engane pela foto. A passadeira dela tem 135x48cm. Poderia ser maior? Claro que sim, mas eu posso garantir que é bem suficiente. A que tinha passadeira maior, era 150x52, R$ 4.000 mais cara e não caberia no lugar.

Usando o Zwift fica assim:





Além disso o Zwift conecta com o Strava e com o Garmin Connect (e mais um monte de serviços) e cria o treino que você acabou de fazer. Ótimo.

Resolvi meus problemas. Agora é treinar mais e mais, perder mais uns quilinhos e preparar para a Maratona de NY de 2021. Porque a de 2020 não teve.

É isso.