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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Algumas coisas a lógica não consegue explicar...

Pessoal,

Meu MacMini foi hospitalizado.

Encontrei-o desacordado no fim de semana. Tentei de tudo para reanimá-lo: troquei a tomada, o cabo de força, todas as formas de ressuscitação disponíveis na internet. Nada. :(

Foi encaminhado para o hospital em coma. Aguardo ainda notícias. Se for a fonte, ok, provavelmente será trocada. Se for a placa lógica, bem... nesse caso acho que servirá apenas para doação de órgãos...

O MacMini foi comprado em uma viagem a Londres, em 2013, na Selfridge's. Estava um pouco mais barato que na Apple UK e, convertendo para dólar, mais barato que na França e Holanda (países que eu também iria na viagem). Estava mais caro que nos EUA (claro), mas BEEEMMMM mais barato que no Brasil. Assim, juntei os cobres e comprei. Late 2012, Core i7 2,3GHZ, HDD 1TB, 4GB de RAM e o resto da parafernália habitual (veja aqui). Como foi comprado na loja e não configurado por mim, veio esse Core i7 2,3. Se eu fosse configurar, provavelmente escolheria o Core i7 2,6.

Esse Mac tinha alguns problemas que quase me fizeram colocá-lo para adoção: pouquíssima RAM e um HD bichado.

A RAM foi fácil de resolver: soltando o fundo, a gente cai na cara do slot de RAM. Tirei os dois pentes de 2GB e coloquei dois de 8GB.

O HDD me deu dor de cabeça. Deu pau com um mês vencida a garantia. Formatei, reformatei e nada. Estragou mesmo. Troquei por outro HDD 1TB. Inacreditavelmente, esse também pifou. Mas confesso que fiquei até feliz, porque o MacMini estava completamente inútil. Não me lembro qual era o OSX da época, mas estava muito pesado. Primeiro coloquei um SSD externo e fiz o boot ser por esse SSD (veja aqui e aqui). Resolveu meu problema e o MacMini tornou-se extremamente útil na minha rede. Depois criei coragem, abri o Mac, tirei o HDD que estava ruim e coloquei o SSD. Deu um trabalhão, mas ficou ótimo (veja aqui as ótimas instruções do iFixIt.com).

Com a hospitalização do Mini, passei a procurar um novo Mac para ficar no lugar dele. Temporariamente estou utilizado o MacBook White de 2009 que ganhou vida nova com um SSD (aqui). Apesar de resolver temporariamente, esse MacBook não aguentará o tranco todo. Backup, servidor de TimeMachine: isso ele aguenta. Mas não aguenta as máquinas virtuais que eu uso para Imposto de Renda, Virtual Banking, etc. Vamos lembrar que ele tem 10 anos (late 2009) com processador Core 2 Duo 2,26GHz com 8GB. Tenho máquina virtual que roda com 8GB. Esse, infelizmente, não aguenta.

Bom, voltemos ao título do texto.

A Apple começou a adotar uma política que, particularmente, considero péssima: começou a soldar os diversos componentes (memória, SSD, etc). Assim, se der problema em um componente, você terá que trocar tudo. Meu MacBook Pro já é dessa linhagem.

Entretanto, na contramão da própria Apple, o mais novo MacMini tem a memória expansível, não soldada. O SSD é soldado, mas a RAM não. Assim, apesar de precisar desmontar todo o MacMini para trocar a memória, é possível economizar um pouco na hora da compra e trocar a RAM depois, comprando mais barato que a vendida pela Apple.

Veja só: para comprar 8GB da RAM do MacMini novo (DDR4 2666), a Apple americana cobra US$200 (na cotação de hoje - 27/12/2019 - R$4,05) ou R$810,00, sem impostos. A Apple Brasil compra R$1.600,00 reais!!!! No Mercado Livre essa memória custa de R$215,00 a R$400,00. Na BestBuy custa à partir de US$65 ou R$263,00. Detalhe que esse é o preço, no caso da BestBuy, para 2 pentes de 8GB, porque só 8GB não tem a venda.

Assim, a configuração dos meus sonhos seria: Core i7 6-core 3,2GHz, 32GB de RAM, SSD 512GB e placa Ethernet 10Gb. Não escolhi um SSD maior porque posso colocar um por fora e fazer boot externo, coisa que já fiz com o meu Mini. Poderia colocar 64GB RAM, mas ficaria muito caro e 32 tá ótimo por um bom tempo.

Tendo como base meu MacBook White com 10 anos que está ótimo e aguenta mais 5 no mínimo e o MacBook Air 2013 da patroa (que era meu) e que tá redondinho, escolher um Mac com configuração de ponta vai garantir um equipamento pra 10 anos. Qual PC com Windows aguenta 10 anos?

Assim, vou comparar alguns preços com a configuração dos sonhos (CS) no Brasil e EUA, ambos com 8 e 32GB RAM.

CS 32GB USA - US$ 2,199.00 ou R$8.900,00 (sem impostos). Com impostos da Flórida (6,5%), vai para US$2,341.93 ou R$9.476,00.

CS 32GB BR - R$18.199,00 ou US$4,497. Quase o dobro que nos EUA...

CS 8GB USA - US$1,599 ou R$6.470 (sem impostos). Com impostos da Flórida (6,5%), vai para US$1,702.93 ou R$6.891,00.

CS 8GB BR - R$13.399,00 ou US$3,311.

32GB RAM USA - US$129.99 ou R$526 (sem impostos). Com impostos da Flórida (6,5%), vai para US$138.43 ou R$560,18.

32GB RAM BR - R$1.184,00 ou US$292.60.

CS 8GB + 32GB USA - US$1,728.99 ou R$6.996 (sem impostos). Com impostos da Flórida (6,5%), vai para US$1,841.36 ou R$7.457,50.

CS 8GB + 32GB BR - R$14.583 ou US$3,603.74.

Vejam bem: comprar a CS com 8GB nos EUA resulta em economia de R$6.508 comparado com o equivalente aqui no Brasil. Se for com 32GB é de R$8.723,00. Essa diferença ainda paga fácil os 32GB RAM, seja comprando lá ou aqui.

Acabei de olhar na CVC: um pacote com parte aérea, saindo de BH para Miami, com uma semana de hospedagem para DUAS pessoas: à partir de R$ 3.130,00 por pessoa (R$6260,00 o casal).

Um casal vai pra Miami, passeia por uma semana, compra o MacMini lá (qualquer que seja a configuração) e ainda sai mais barato que comprar aqui no Brasil.

Se você quiser fazer uma viagem bem legal, pode ir pra Londres e passar uma semana com sua patroa: R$3.822/pessoa = R$7.644 + MacMini 32GB UK (£2,059 = US$2.693,17=R$10.900). Vai sair mais caro que nos EUA, mas ainda assim mais barato que aqui no Brasil. E você passa uma semana em Londres.

Um detalhe é a Declaração de Bens do Viajante (DBV): se você comprar produtos acima de US$500, "teoricamente" deve-se recolher os tributos na chegada, ainda no aeroporto. "Teoricamente" porque nem tudo mundo faz isso (acho que a minoria faz) e porque, às vezes, o risco de NÃO pagar o imposto ainda compensa em relação ao preço daqui.

Como exemplo, o nosso MacMini CS 32GB USA: US$2,341.93. Sim, para calcular o assalto da RFB o preço é o cheio, ou seja, com impostos. Já pagou imposto lá e acha que é bitributação? Azar o seu, pode ficar achado porque RFB tá nem aí pra você...

Assim, US$2,341.93 está 1,841.93 acima da cota de 500 doletas. Se você declarar, paga 50% do excedente (US$920.96) em tributos, totalizando (2,341.93 + 920.96) US$3,262.89 (x4,05 = R$13.214,72. Se não declarar e for pego, paga multa de 100% sobre o que passou, ou seja, mais US$920.96. Assim, o Mini sai por US$4,183.85 ou R$16.944,59.

Considerando que ele custa R$18.199,00 aqui no Brasil, se você trouxer, não declarar e não for pego, é o melhor dos mundos. Se não declarar e for pego, ainda fica R$1.254,40 mais barato que compra aqui no Brasil.

No caso do CS 8GB USA a conta fica assim: US$1,702.93; excedente de US$1,202.93; tributos sobre 50% do excedente de US$601.46 (R$2.435,93). Ou seja, se declarar ele sai por US$2,304.39 (R$9.332,77); se não declarar, ele sai por US$2,905.86 (R$11.768,73). No pior cenário, ele ainda fica R$1.630,26 mais barato que comprar aqui. Com essa diferença, você ainda compra os 32GB de RAM aqui e ainda sobra uns R$500,00.

Retornando ao título dessa postagem: algumas coisas a lógica não consegue explicar...

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Trocando o HD do MacBook Unibody Late 2009 por um SSD

Pessoal,

Olá!

Vou mostrar algumas novidades recentemente adquiridas. Boas diversões!

A primeira será a troca do HD do meu antigo MacBook Unibody Late 2009 (A1342) por um SSD 480GB.

Esse Mac foi o meu primeiro Mac. Aprendi muito com ele e, há algum tempo, estava meio encostado por alguns motivos, principalmente pelo peso e pela lentidão.

Uma grande pena foi a decisão da Apple de soldar os componentes na placa dos computadores. Assim, desde 2015, de modo progressivo, a empresa foi alterando sua linha de montagem de acordo com essa diretriz. Meu MacMini e esse Macbook White são mais antigos e ainda consigo promover essas alterações (trocar HD, expandir memória RAM, entre outros). Já meu MacBook Pro, 2018, não permite mais isso :(

O iFixIt desmontou alguns exemplares e é possível ver nessas fotos:

(Essa é a placa principal do MacBook Pro 2018 desmontada; todos os componentes estão soldados)

(Repare na RAM detalhada em verde e no SSD detalhado em amarelo)
Voltemos ao nosso texto.

O meu Macbook é um White com Core 2 Duo 2,26GHz, HDD 250GB, DVDRW (SuperDrive 8x DL), 13" e placa de vídeo integrada Nvidia GEForce 9400M. É o modelo Unibody branco com bateria interna (havia outro modelo cuja bateria era de fácil remoção). Vinha originalmente com o OSX 10.6.1 (Snow Leopard).

O HDD original é um de 5.400 r.p.m. com 250GB. Bom para nove anos atrás, "LO TOV" para hoje! Já falei sobre a diferença dos  HDD e SDD aqui.

Specs mais detalhadas são encontradas aqui.

Ele já havia sido atualizado de 2GB originais para 8GB (tinha dois pentes de 01GB, coloquei 02 pentes de 04GB) e tinha melhorado significativamente.

Entretanto, com as atualizações do OSX, ele foi ficando mais e mais lento para funcionar. Inviável algumas vezes.

Assim comprei um kit de ferramentas e um SSD Sandisk Plus 480GB no Amazon.




Essas ferramentas são recomendadas para reparo em Mac, mas servem perfeitamente para a maioria dos computadores e equipamentos eletrônicos mais refinados. Tem 80 peças entre espátulas, chaves diversas (fenda, Philips, Torx, etc) e pinças. Custou módicos US$ 21 dólares e aparenta ter boa qualidade. Bem bom!





O SSD Sandisk Plus G26 480GB não é o melhor, nem o mais moderno, nem o mais rápido e nem o mais barato, mas é de boa marca e velocidade de leitura/gravação bem satisfatória e boa relação custo benefício, ainda mais para um Mac de NOVE anos! US$ 75 por isso? Achei bem satisfatório! No Mercado Livre o preço convertido estava um pouco mais alto. Como iria para os EUA de qualquer modo, comprei na Amazon americana mesmo.

Para trocar o HD, segui o tutorial que tem no iFixIt, um site especializado em reparos de eletrônicos. O link para a troca está aqui.

A troca é simples e está bem detalhada no iFixIt.

Na hora de ligar, apareceu isso aqui:


Nenhum problema! O SSD está vazio e sem SO. É preciso instalá-lo no SSD e a própria Apple ensina como fazer aqui. Eu poderia/deveria ter feito isso, mas esqueci 😒. Poderia/deveria ter colocado o HDD novamente e fazer isso, mas preferi fazer do modo "Hardt" 😂😂😂 (não é, Lula da Silva?).

Utilizei um pendrive de 32GB formatado como Mac OS Expandido, entrei no site da Apple e fiz o download da versão MacOS High Sierra, a última suportada pelo meu Mac.

Após seguir as instruções, a inicialização começou no pendrive:



Agora é fazer acessar o Utilitário de Disco para preparar o SSD (optei por formatar em APFS, conforme expliquei antes aqui) e e instalar o MacOSX.

Depois de instalado, sem nenhum problema, é hora de configurar e instalar alguns aplicativos. De cara já deu pra nota uma melhora significativa!

A troca é realmente muito fácil, a instalação do MacOSX é mais fácil ainda e um equipamento de NOVE anos ganhou mais um fôlego para uns 3 ou 4 anos de uso. Pensar que um notebook produzido em 2009 recebeu 7 novas versões do SO e ainda tem fôlego para as tarefas mais corriqueiras (Word, Excel, Powerpoint, internet, ouvir música), tá muito bom!

Bom, em breve mostro outras novidades que chegaram aqui.

Até mais.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Colocando um SSD no MacMini - Parte 1 e 1/2, também conhecida como Parte 2 simplificada :)

Olá pessoal,

   No post anterior, falei sobre a instalação do MacOs em um drive SSD externo para iniciar meu MacMini.

   Tive alguns problemas ao realizar a instalação e acho necessário escrever sobre isso.

   Inicialmente, ao contrário do que a Apple divulgou, o meu SSD não foi "transformado" para o novo padrão APFS. Ao contrário, ficou em HFS+ com Journaling (Mac OSX Extendido). O MacBook Air, também SSD, foi atualizado para APFS automaticamente. Se é por alguma característica do SSD, se é por estar em USB, se é por estar externo, não sei. Só sei que não foi assim.

   Outra problema que tive foi na má escolha da partição de recuperação. Da primeira vez (sim, fiz 3! instalações para chegar na que estou usando atualmente), tirei o HD externo que estava utilizando e iniciei o Mac apertando a tecla Option. Entrou nessa tela:


   Repare as 3 opções: Macintosh HD (o meu HD interno bichado), Recuperação 10.12 e EFI Boot (disco de boot). Não me atentei que a partição de recuperação era do MacOS Sierra (10.12) enquanto a versão atual é MacOS High Sierra (10.13.4). Quando terminou tudo, percebi que estava numa versão anterior ao APFS e resolvi reinstalar.

   Coloquei meu HD externo de novo, reiniciei com Option apertado e apareceu isso:



   Fui lá na última opção (Recovery 10.13.4). Quando acabou tudo, vi que continuava em HFS+. 😔

   Resolvi apelar. Reinstalei a 10.12 e baixei o arquivo de instalação (vá na Mac App Store --> Buscar --> digite "High Sierra" e dê enter --> faça o download e instale). Achei que fazendo isso, como tinha ocorrido no MacBook Air, ele atualizaria automaticamente o sistema de formatação para APFS. Só que não...

   Enfim, isso me custou horas e horas instalando, reinstalando e reinstalando tudo de novo. Para descobrir, no final, que ainda estava em HFS+. Enfim, desisti! Por enquanto...

   Vou colocar dois vídeos para perceberem a diferença do boot quando se usa um HD convencional e um SSD.

(A unha vermelha não é minha 😂😂😂)



   Ambos os vídeos foram gravados em com o Time-Lapse do iPhone. Comecei a marcar na hora de apertar o Power e encerrei quando foi pedido a senha (não deixei até carregar tudo porque o HD tinha mais programas para boot que o SSD - por ser instalação nova).

   O primeiro é com o SSD e ficou disponível para entrar com a senha em menos de 50 segundos. O segundo vídeo é com o HD. Demorou mais de dois minutos (2:05). Um detalhe a considerar é que, apesar de ter selecionado o HD externo como disco de boot, se eu ligasse sem apertar OPTION o boot era sempre pelo HD interno (o HD com defeito) e o computador se auto-desligava. Assim, gravei o vídeo fazendo exatamente o que eu sempre fazia: ligava com OPTION apertado, escolhia o disco externo para boot e espera carregar.

   A diferença de tempo no boot fala por si.

  Mas por que o SSD é tão mais rápido? 

   Os HDD (Hard Disk Drive) estão na ativa desde meados do século passado. Esse disco é uma memória não volátil (as informações são preservadas mesmo após o aparelho ser desligado), formado por um (ou mais) disco duro (geralmente feito de alumínio, vidro ou cerâmica), onde as informações são guardadas. Esse disco é coberto por uma película de material magnético. Esses discos giram em alta velocidade - os modelos atuais mais comuns variam entre 5.400 e 7.200 RPMs. Outra parte importante é o braço mecânico que tem um conjunto de ímãs em sua extremidade. Eles ficam a nanômetros de distância da película magnética, detectando e/ou modificando a magnetização do material conforme os discos giram. É assim que é feita a leitura e gravação dos dados.


   Já os SSDs  possuem dois componentes fundamentais: a memória flash e a controladora. A memória flash guarda os arquivos e, ao contrário dos discos magnéticos dos HDs, não necessita de partes móveis ou motores para funcionar. Todas as operações são feitas eletricamente, tornando a leitura e a escrita mais rápidas, além de deixar o equipamento mais silencioso e resistente a vibrações e quedas. A controladora, por sua vez, é responsável por gerenciar a troca de dados entre o computador e a memória flash do SSD. Formada por um processador que executa diversas tarefas no drive, é uma das principais responsáveis pela performance de um SSD. O processador da controladora faz o gerenciamento do cache de leitura e escrita de arquivos, criptografa informações, mapeia partes defeituosas do SSD para evitar corrompimento de dados e garantir uma vida útil maior da memória flash. As novas controladoras chegam a ser duas vezes mais rápidas que as mais antigas.


   Devido às superfícies de gravação rotativas, superfícies de HDs normais trabalham melhor com arquivos maiores gravados em blocos contínuos, de modo sequencial. Dessa forma, a cabeça de leitura do braço magnético pode começar e terminar a sua leitura em um movimento contínuo. Quando os discos rígidos começam a ficar cheios, os arquivos grandes podem se espalhar em torno do prato de disco (são divididos ocupando os locais vazios onde outros arquivos estavam gravados e foram apagados - fragmentação), prejudicando a velocidade de leitura e gravação de dados nos HDs. Os SSD não tem este problema, já que a localização física da gravação dos arquivos não importa tanto. Assim, SSDs são inerentemente mais rápidos.

   A título de curiosidade, lembrei de um trecho do livro "Guia do Programador MSX", de Eduardo A. Barbosa, de 1990, onde, no capítulo 7, era explicado como era feita a formatação de disquetes. Leia aqui uma boa fonte sobre os disquetes, se tiver interesse.

 
(Disquete 5,25" ou 5 1/4")                  (Disquete 3,5"ou 3 1/2")

   Os drives de disquete, fossem 5 1/4" ou 3 1/2" rodavam a cerca de 300 RPMs. Havia tolerância de +/- 4,5 RPM. No MSX, os disquetes mais novos tinham 40 ou 80 trilhas com 9 setores por trilha e 512 bytes por setor, resultando em 512 x 9 x 40 = 184.320 bytes ou 180kb (um kbyte = 1024 bytes pois bits e bytes não são sistema decimal, mas sim binário; 1 byte = 8 bits = 2ˆ3 bits; assim, 2ˆ10 = 1024) ou 512 x 9 x 80 = 360kb. Se os discos fossem de dupla face, seria o dobro (180kb ou 360kb para cada face, resultando em "assombrosos" 360kb ou 720kb para cada disco!).

   O setor 0 no MSX contém informações como nome do disco, nome dos arquivos (apenas 8 bytes para nome e mais 3 bytes para extensão), informação se o arquivo foi apagado ou não (o arquivo não necessita ser, de fato apagado; apenas é colocado um determinado byte na primeira letra do nome e o sistema interpreta que o arquivo foi intencionalmente apagado) e informações sobre onde se encontra o início do arquivo (do setor 1 ao 359 nos discos de 40 trilhas ou 1 ao 719 nos discos de 80 trilhas). Assim, o sistema sabia onde o arquivos se iniciava. Ao chegar no final do setor, mais alguns bytes informavam em qual setor ele continuava. E assim por diante, até terminar de ler o arquivo todo.

   Portanto, ao ler um arquivo em um disco (seja disquete ou HD), a cabeça de leitura fica pulando de um lado para outro, dando continuidade ao processo de leitura/gravação.

   Nas palavras de Eduardo Barbosa, "Suponha que desejemos ler os setores 1 e 2 de uma determinada trilha. Por mais rápido que seja o Z80, nunca conseguiremos que ele leia o setor 2 logo após o setor 1, com o disquete na mesma volta (...). Desta forma, para ler os setores 1 e 2 (...) gastaríamos o tempo do disquete dar duas voltas".

   Já naquela época, em 1990, havia a preocupação em tentar acessar os arquivos mais e mais rapidamente. Assim, ao contrário das instruções da MSX-BIOS, que faziam a leitura sequencial dos setores (1-2-3-4-5-6-7-8-9), os programadores acessavam diretamente as funções de leitura/gravação do disco e alteravam a sequência para, por exemplo, 1-3-5-7-9-2-4-6-8. Havia ganhos de até 30% nos tempos de acesso aos disquetes!

   Porém esse era uma preocupação apenas para os usuários de computadores de 8 bits, que tinham baixa frequências (inferiores a 10MHz). Nesses equipamentos, o padrão sequencial MS-DOS/MSX-DOS fazia com que fossem necessárias 9 voltas para ler uma trilha inteira (interleave 9:1). As alterações da sequência por acesso direto reduziam essa interleave para 5:1. Os PC's 286 e 386 conseguiam ter um interleave 1:1, ou seja, liam uma trilha a cada volta do disco.

   Bom, fugi do tema loucamente, apesar de achar que é importante perceber a evolução desses sistemas de gravação.

   Além disso, dá pra entender como é a lógica do funcionamento de um HD e de um SSD, permitindo compreender o grande ganho de velocidade do SSD sobre o HD.

   Outra coisa importante: um SSD médio tem vida útil de mais de 3.000 ciclos de escrita. Além disso, as controladoras "distribuem" as gravações, evitando que um mesmo bloco seja utilizado mais que outros blocos. Assim, mesmo que você tenha comprado um SSD com capacidade de 120 GB e vida útil de "apenas" 3.000 ciclos, e mesmo que grave 120 GB todos os dias, o SSD deverá durar pouco mais de 8 anos até começar a falhar. Se você for bem menos frenético, mas ainda gravar 20 GB de dados por dia, esse tempo subiria para 49 anos!

   Pode ficar tranquilo! O SSD vai durar!

   Até a próxima, pessoal!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Colocando um SSD no MacMini - Parte 1

Olá pessoal,

   Tenho que confessar que sou um cara azarado. Como dizia um amigo: tenho tanta energia para fuçar em computador que essa energia causa um curto-circuito e estraga o computador... :(

   Comprei o MacMini em 2013, numa viagem para Londres. O preço tava bom (na época, dava pra divertir no exterior mesmo em libras esterlinas). Comprei na Selfridges e o preço era um pouco mais barato que na Apple. Foi um MacMini Late 2012 Core i7 2,3GHz, com 8 GB de RAM (logo trocado para 16GB) com HD 1TB. Um foguete, só que não...

   Equipamentos eletrônicos, carros, roupas, etc, enfim, tudo que é produzido em série, em grande volume, em uma linha de montagem, sempre terá uma porcentagem de produtos finais acima da média, uma grande parte na média e uma pequena parte abaixo da média. Tanto a média quanto o percentual fora da média dependeram, basicamente, do controle de qualidade da linha. Isso é fato!

   Com meu MacMini não foi diferente. Infelizmente, ele veio bichado :(

   O desempenho nunca foi de um Core i7...

   Com 9 meses de uso, o HD começou a falhar. Cheguei a formatar e reinstalar tudo uma 3 vezes em uma semana. Liguei na Apple (estava na garantia - mundial!). Tive a surpresa de descobrir que o prazo de garantia já havia sido iniciado cerca de 4 meses antes, ou seja, tinha um mês que tinha acabado. Expliquei tudo e a moça da Apple, muito atenciosa, explicou que eu teria que mandar o MacMini pra SP, junto com a NF e eles iriam avaliar o computador e a NF para averiguar se estenderiam a garantia ou não. Desisti.

   Levei numa autorizada da Apple aqui em BH e troquei o HD. Coloquei outro de 1TB. Esse durou uns 3 anos e começou a dar pau. Perdi a paciência, procurei um jeito de instalar o OSX em um HD externo e fosse o que D'us quisesse.

   Achei esse vídeo do Ricardo Jorge e segui tudo, exceto que não usei um SSD, mas um HD convencional.

   Como não tirei o HD bichado desta vez, simplesmente ligo o MacMini, aperto a tecla "Alt" e espero aparecer essa tela:


   O Disco "Macintosh HD" é o bichado. Seleciono o outro (o Seagate Slim External Drive) e mando iniciar. Deve ser tudo um pouco mais lento que se fosse por um HD normal (não fiz nenhum teste para comparar, é apenas chute mesmo, apesar de ser um HD externo USB 3.0).

   Bom, se preciso desligar por qualquer coisa, não posso me esquecer de ligar deste modo, porque senão entra o Macintosh HD e aí ele trava e reinicia. É um porre de chato.

   Acredito que a troca por um SSD vai dar bons resultados.

   Sendo assim, procurei na Internet e achei um bom conjunto no Amazon.com.br. Comprei um case USB 3.0 e um SSD Kingston 480GB.

  


   


 


    Tudo saiu por uns R$850,00 com taxas de entrega (expressa!, porque senão o envio seria para meados de maio...).

    Bom, agora vamos ao que interessa. O plano é o seguinte:

   1 - Formatar e instalar o MacOS limpo nele, instalar os programas e configurar tudo;

   2 - Se tudo ficar ótimo, como espero que fique e como as pessoas dizem que ficará, vou abrir o MacMini e trocar o HD pregar o SSD atrás do monitor com fita dupla-face e usar, sem precisar abrir o MacMini (não vou atrapalhar o que está funcionando).

   Neste post será o item 1.

   Como dito acima, segui as orientações do Ricardo Jorge.

   Após montar o SSD no case e plugar no MacMini, apareceu isso:


   Na hora de formatar o SSD, fiquei em dúvida sobre qual formato escolher: o APFS, novo sistema da Apple, ou o Mac OS Expandido, o já tradicional.

   Aqui a Apple explica que, se for SSD deve ser APFS. Se não for SSD, deve ser Mac OS Expandido. Segui a orientação do fabricante.

Escolhendo APFS por ser SSD.



MacOS formatando o SSD

Tudo resolvido!



   Essa foi a parte fácil.

   Agora vamos instalar o Mac OS neste disco. Primeiro, atualizei todos os meus backups. Em todo caso, como o MacOs está rodando em um HD externo, não tem problema: se der pau, é só espetar de novo.

    Outra dúvida que tive: clonar o HD, instalar o MacOS zero e puxar o backup do Time Machine ou instalar tudo do zero? A primeira opção é a mais cômoda, mas o meu HD é de 1TB e o SSD de 480GB; além disso, são coisas um pouco diferentes (SSD x HD; APFS x HFS+). A segunda opção, também cômoda, eu tenho alguma restrição (não sei porque, mas não sinto tanta confiança assim). Enfim, queria mesmo era a opção 3 (instalar tudo na unha!) e ponto final!

   Para começar a instalação, nesse caso, tem que ligar e apertar "Option" até aparecer a tela para seleção do boot. Como o SSD não tem boot, ele não aparece aqui. Então escolho o disco "Recuperação 10.12" (10.12 é o MacOS Sierra, última versão instalada no HD interno do MacMini, apesar de estar usando o 10.13.4 no HD externo).



    Se o seu SSD estiver formatado, vá para Reinstalar o MacOS (para instalar do zero); se quiser formatar, vá para Utilitário de Disco. Como o meu está formatado em APFS e vou instalar o 10.12 e não o 10.13, tive que reformatar para HFS+ e, quando atualizar para o 10.13, ele vai para APFS automaticamente.

   Outra opção é ligar apertando "Shift + Option + Command + R". Ele instala a versão que veio no computador. Testei aqui em casa e apareceu isso:





   Deve ser algum sinalizador gravado em algum lugar que não o HD, uma vez que o HD interno no meu Mini não é o que veio de fábrica, mas veio com essa versão do OSX.

   A etapa lenta seria o download, mas o Recovery Disk já tem o SO baixado :). É seguir tudo e ir clicando. Fácil.

Esperar, esperar, esperar... E ai de você se fizer esperar!

   Alguns vários minutos, e chegamos aqui:


   A diferença é gritante! Impressionante!

   Bom, vou continuar instalando e, se tudo der certo, a etapa 2 acontecerá!